domingo, 15 de janeiro de 2012

M - 403 AMIGOS COMO OS DA ESCOLA E OS DA TROPA...

“A noite acabou e o dia começou”

Amigos como os da escola e como os da tropa não há.
Está claro que, ao longo da vida , se encontram pessoas especiais com quem fazemos amizade e que aumentam o nosso património de afectos.
Mas amigos como os da escola… amigos como os da tropa...
Atrevo-me até a dizer que os “patamares” são um pouco diferentes porque os amigos da vida militar vieram um pouco mais tarde…do que os da escola.
 E quando refiro a vida militar estou a pensar especialmente nos amigos com quem convivemos durante a guerra do ultramar.
 Normalmente dois anos, que significaram mais de 700 dias. E dias com muitas horas…
De forma um pouco diferente vivi recentemente, em dois tempos, o que atrás referi.
Refiro dois tempos porque sendo “amigos da guerra” convivi com eles em situações diferentes.
A primeira situação teve a ver com um ex-capitão miliciano que está na vida civil há cerca de 40 anos. Graças a um blog de ex-combatentes da Guiné conheci-o há cerca de 2 anos. Mas as nossas vivências comuns, com convívios mensais na “Tabanca do Centro” ,estreitaram laços. Que “estremeceram” devido à preocupação que uma recente e delicada intervenção cirúrgica a que foi submetido causou.

A importância que a amizade daquele homem tinha para mim
 (e para outras camaradas) ficou patente na preocupação que transmitimos uns aos outros com a troca de e.mails e telefonemas sem que o destinatário “final” soubesse. E quando soubemos das suas melhoras e da possibilidade de o visitarmos em sua casa… “a noite acabou e o dia começou”.


A segunda situação tem a ver com um capitão do “quadro”, nos dias de hoje Ten. General aposentado, que foi o “meu capitão” da Guiné em 1964-65.
Fez no dia 14 de Janeiro corrente 76 anos. Na véspera contei as horas e os minutos para, em cima da meia noite, lhe enviar um e.mail .
Além dos parabéns enviei-lhe uma “espécie” de poesia que há muito é “palavra-chave” em momentos especiais.


MEMÓRIA
À distância no tempo... recordo sons!
Numa selva de imagens
recordo militares agitados...
Lembro a floresta, o caminho estreito.
À distância no tempo... os ruídos esbateram-se!
Ficaram imagens...
Deitado na viatura da "Breda" está ferido o capitão,
Pálido, de camuflado rasgado... mas comandando.
Ordens e gritos... Militares disparando...correndo,
lutando à voz do seu capitão exangue...
Saindo da floresta
que para trás ficava de novo silenciosa!
Na distância do tempo... volto a ouvir
Algures vindo do céu, antes da vista o ter visto,
O barulho inconfundível das pás, das hélices do helicóptero.
O sangue deixou de correr,
a palidez das faces atenua-se,
e aparecem os primeiros sorrisos.
Estão nítidos na minha memória
os companheiros
que ficaram para a vida, toda a vida.






«Quando a meio de uma estrada, recordares um rosto de um amigo e o associares à memória dos teus…a noite acabou e o dia começou».


Amigos como os da escola e como os da tropa…


JERO









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